quarta-feira, 29 de abril de 2020

Mascarados

A cada saída de casa um ritual!
Pelo menos por aqui, tem sido assim. Tem o sapato de sair, o de ficar em casa, a roupa... que está sendo escolhida, para as rápidas voltas no supermercado ou farmácia, mais pela praticidade de lavar, do que pela estética ou estilo. E tem "A MÁSCARA".

A máscara, pelo menos essa que a gente tem que usar nesse momento de pandemia, tem como principal finalidade a proteção, né? 
Tem gente que combina com a roupa, tem outros que inventam moda e muitos, muitos mesmo, não estão sabendo qual a principal função desse item: a prevenção do "bichinho" espinhento, mais conhecido como coronavírus.

Numa dessas saídas, me parei a observar. De máscara e de olhos bem abertos, fui reparando no que as pessoas estão fazendo (ou deixando de fazer).

Máscaras no queixo. Máscaras sobre a boca, mas com o nariz de fora. máscara no pescoço... só faltou ver a máscara tiara, colocada sobre os cabelos ou máscara tapa olhos (tá, essas não vi! :))

De que adianta a máscara se ela está sendo usada de forma incorreta ou em locais inapropriados?

Tem uma série de regrinhas para este uso: cobrir boca, nariz e queixo, simultaneamente e não ter folga nas laterais, são algumas delas. Fora os cuidados com a higiene das mãos ao colocar e tirar, tempo de eficácia (as de tecido em torno de 2 horas). 

Sim, tem protocolo para tudo!

Não é superdivertido sair com a boca e o nariz tapados, mas é necessário. É desconfortável, algumas vezes ficamos com "orelhas de abano", o elástico e o tecido no meio da cara incomodam... mas, fazer o que?


Dando uma olhada por aí, fiquei pensando naquelas máscara anti-gases tóxicos, usadas inicialmente na primeira guerra mundial... 

Não tinha escapatória. Era tudinho coberto, inclusive os olhos, com telinhas. Sobre o nariz uma proteção redonda, como se fosse uma tampa daquelas de talco, metálica e com furinhos... por fim dois grandes canos (ou apenas um) dali saiam para garantir a respiração menos tóxica. 
A Primeira Guerra Mundial que aconteceu entre 1914 a 1918, foi uma das que, "brilhantemente" (sim, estou sendo irônica), teve o início da utilização de armas químicas como gás mostarda, que teria matado em torno de algumas milhões de pessoas (20 a 30 milhões conforme historiadores), civis e militares e outras tantas pessoas mutiladas.



E esse era apenas um dos tipos de máscara da época.

Tinha também uma outra, não a protetora... uma que veio com a finalidade de amenizar o sofrimento dos feridos pela guerra que acabaram tendo os rostos  desfigurados.

Foi uma escultora chamada Anna Coleman Ladd a protagonista dessa história. Ela nasceu nos Estados Unidos, esculpia seres mitológicos, sátiros e sereias.



Casada com um médico da Cruz Vermelha, acabou indo morar na França, em 1917. E inspirada no escultor Francis Derwent Wood e com o apoio da Cruz Vermelha Americana, iniciou os trabalhos no seu atelier, chamado de  “Estúdio Máscaras-Retrato” em que produzia máscaras de metal para os soldados mutilados na Guerra. 
Numa época em que a cirurgia plástica não era assim como hoje,  foi a única possibilidade para que andassem nas ruas sem sentirem vergonha.



Anna  morreu em 1939, na Califórnia, nos EUA e deixou uma marca, nas máscaras da humanidade.

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